Novembro 9, 2009
studio am stacheldraht, i. a função da fronteira é o limite, não é o horizonte. a fronteira é o corte político do horizonte, a determinação e fixação dele e a contracção humana contra ele, o que pelo menos num sentido significa a limitação do espaço de liberdade. porém, em longue durée, a fronteira tem uma função inútil, por ter um valor sobretudo administrativo e, portanto, depreciável através do tempo. à semelhança da porta, a fronteira serve para ser passada e o efeito de limiar, associado à contenção que gera, desvanece-se. o espaço abre-se. na história, os horizontes naturalizam-se, são onde através do corpo se alcança, vendo ou imaginando, e além. resulta disto que as fronteiras são limites precários. qualquer enunciado sobre a impossibilidade de passar uma fronteira é um enunciado necessariamente datado e vago, porque, apesar de dobrado em muros, o mundo continua.
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Publicado por 3ás
Maio 11, 2009
memorial, i. a memória é mais construção do que confissão. ou seja, a memória é uma narrativa ordenada, não é o relato derramado da vida, uma sequência fortuita de acasos e casos. como é revelada, a memória é um desfile de pensamentos, sentimentos, vontades, acidentes e demais factos, contra ou sobre a culpa.
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Publicado por 3ás