Novembro 9, 2009
muro de berlim (checkpoint charlie - 1961-10-27)

studio am stacheldraht, iii
. qualquer limite tem pelo menos dois lados e é suportado pela violência e pela resistência de ambos.

Novembro 9, 2009
muro de berlim (02)

studio am stacheldraht, ii
. em berlin, em agosto de mil novecentos e sessenta e um (e até novembro de mil novecentos e oitenta e nove), o corte violento e a violência da vigilância do corte separaram corpos, mas não tanto que impedissem a comunidade sobre um e outra.

Novembro 9, 2009
muro de berlim

studio am stacheldraht, i
. a função da fronteira é o limite, não é o horizonte. a fronteira é o corte político do horizonte, a determinação e fixação dele e a contracção humana contra ele, o que pelo menos num sentido significa a limitação do espaço de liberdade. porém, em longue durée, a fronteira tem uma função inútil, por ter um valor sobretudo administrativo e, portanto, depreciável através do tempo. à semelhança da porta, a fronteira serve para ser passada e o efeito de limiar, associado à contenção que gera, desvanece-se. o espaço abre-se. na história, os horizontes naturalizam-se, são onde através do corpo se alcança, vendo ou imaginando, e além. resulta disto que as fronteiras são limites precários. qualquer enunciado sobre a impossibilidade de passar uma fronteira é um enunciado necessariamente datado e vago, porque, apesar de dobrado em muros, o mundo continua.

Setembro 11, 2009

de amicitia
. no princípio a amizade é um modo de proximidade, porventura de partilha e de cumplicidade, porém não necessariamente de partilha e de cumplicidade, e implica corpos. por mais reservada que seja a proximidade, a amizade não é intimidade. se a proximidade resistir às distâncias, sobra o respeito, a condição e a propriedade inevitável de qualquer amizade. ainda assim o respeito não obriga a amizade.

Setembro 9, 2009

well, shake it up, baby, now
. hoje a questão não é nostálgica, é arqueológica. o motivo é tecnológico e foi ele que permitiu a passagem a limpo da discografia d’the beatles. please please me, o primeiro álbum d’the beatles, data de mil novecentos e sessenta e três. isto é um pormenor. o que releva é que «twist and shout» faz parte desse álbum. «twist and shout» tem acordes curtos, riffs sincopados. mas o que é bonito é a canção ser gritada. há quarenta e seis anos já se gritava para acompanhar a electricidade. para quem nasceu depois de «twist and shout», tornou-se cada vez mais evidente que a remissão será eléctrica ou não será. será necessariamente gritada.

Maio 27, 2009
memorial, ii. a memória tende a sobrepor-se às condições tanto da culpa quanto do relato.

Maio 11, 2009
memorial, i. a memória é mais construção do que confissão. ou seja, a memória é uma narrativa ordenada, não é o relato derramado da vida, uma sequência fortuita de acasos e casos. como é revelada, a memória é um desfile de pensamentos, sentimentos, vontades, acidentes e demais factos, contra ou sobre a culpa.

Abril 24, 2009
observatório, iii. o máximo possível de observação é a contemplação, não é a revisão.

Abril 17, 2009
observatório, ii. a observação não tem como não ser uma forma de espera sem expectativas diferentes da visibilidade e da segurança da visibilidade.

Abril 13, 2009
observatório, i. a plenitude do observador é a consciência de que a sua perspectiva é uma perspectiva.