hopeless emptiness
. segundo søren kierkegaard, o desespero é a condição pessoal afundada no abismo da individualidade. é a falência inscrita no corpo e a experiência e a constatação disso, sem choque, sem desasossossego, apenas tédio, mortificação permanente e deletéria. a solução para o desespero é necessariamente uma relação, algo que cesse a solidão mórbida. mas que relação?, se o afundamento em si é já a consequência íntima de relações não consumadas ou falhadas. sair do desespero é uma manobra emancipatória, assente-se. neste sentido, sair do desespero não pode ser uma saída pela morte, até porque o desespero é justamente a vida encerrada pela impossibilidade da morte. a hipótese proposta por kierkegaard é a relação com deus. a fé libertará do desespero pela apreensão de, por poder tudo, deus também poder providenciar a felicidade de quem está desesperado. todavia a saída do desespero pela fé é a mesma alienação por interposto fantasma, já não o especto pessoal mas o espectro divino. em downloading nancy – filme realizado por johan renck -, nancy escolheu o deus que lhe permitiu a morte, escolheu-se a si. ou seja, superou o desespero resolvendo-se. a morte assistida libertou-a, mas o consentimento e o modo dispensaram o acto de fé. bastou a vontade, bastou o auxílio. o que é uma peripécia diferente da exposta em revolutionary road, filme realizado por sam mendes e baseado no romance homónimo escrito por richard yates.
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